A Bancada Ruralista e a nossa única arma.
Considerada o mais poderoso grupo de interesse no Parlamento brasileiro, a bancada ruralista conta com aproximadamente 25% dos deputados federais e 16% dos senadores, com representantes em todas as bancadas estaduais do Congresso e em quase todos os partidos.
Juntos, seus componentes possuem mais de 1 milhão de hectares e representam empresas e terras que movimentam cerca de R$440 bilhões entre a produção agrícola e pecuária.
A participação do agronegócio no PIB brasileiro, varia em torno de 23%.
Juntando esses ingredientes, pode-se ter uma ideia do poder de barganha alcançado pelos ruralistas nas discussões parlamentares.
Quem são eles?
Em recente pesquisa patrocinada pela UFSC, concluiu-se que - “Os integrantes da bancada ruralista são de diferentes partidos, agem de forma pragmática, não representando ninguém, exceto eles mesmos. O que se pode observar hoje na atuação da bancada ruralista é a prevalência de um projeto que privilegia os setores mais capitalizados da sociedade e utiliza o Estado como meio de cooptação, ou seja, de transformismo e de exercício da pequena política”.
Outra pesquisa, realizada pela USP, identificou 25 políticos ligados a
construtoras ou a empreendimentos imobiliários, 26 médicos, 38 na área de
produção de grãos, plantio de eucalipto, cafeicultura, usinas de açúcar e
álcool, sendo que 20 foram identificados como grandes proprietários de
terras.
Acentuando o poder dos políticos ruralistas, a mesma pesquisa identificou algumas famílias que dominam estados ou regiões do país.
A família Caiado, em Goiás, atualmente representada pelo médico, professor e ex-presidente da UDR, Ronaldo Caiado, que declarou à Justiça Eleitoral sete fazendas, que somam 5.172,2 hectares, sendo que uma delas, com 795 hectares é posse.
A família Cassol, em Rondônia, cujo senador Ivo Cassol foi condenado recentemente por fraude em licitação pelo STF.
Mais as famílias dos usineiros nordestinos Calheiros, Brandão Vilela, Pereyra de Lira, Bezerra Coelho, Rosado e a família Lupion, no Paraná, cujo patrono é considerado o maior grileiro daquele estado.
A senadora ruralista Kátia Abreu, do Tocantins, presidente da CNA, apesar de ser tratada como pecuarista, desde o ano 1998 não declarou sequer uma cabeça de gado. Acentuando o poder dos políticos ruralistas, a mesma pesquisa identificou algumas famílias que dominam estados ou regiões do país.
A família Caiado, em Goiás, atualmente representada pelo médico, professor e ex-presidente da UDR, Ronaldo Caiado, que declarou à Justiça Eleitoral sete fazendas, que somam 5.172,2 hectares, sendo que uma delas, com 795 hectares é posse.
A família Cassol, em Rondônia, cujo senador Ivo Cassol foi condenado recentemente por fraude em licitação pelo STF.
Mais as famílias dos usineiros nordestinos Calheiros, Brandão Vilela, Pereyra de Lira, Bezerra Coelho, Rosado e a família Lupion, no Paraná, cujo patrono é considerado o maior grileiro daquele estado.
Deve-se levar em consideração que nas últimas duas décadas, milhares de empresas do setor urbano investiram no campo, incluindo indústrias de todos os ramos, bancos, empreiteiras, comerciantes e ex-donos de redes de supermercados.
Quem são os outros?
Além deles próprios, na área agrícola importantes multinacionais financiam os produtores rurais em troca de parte da safra, os fundos privados captam dinheiro no mercado internacional e compram ou arrendam fazendas no país.
Além disso, o capital investido no campo tem outras origens que podem ser consideradas um tanto quanto "nebulosas". Quem por exemplo, alimenta os investimentos em fazendas situadas na fronteira dos estados limites com Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia?
Não podemos nos esquecer de que, após ser preso na Colômbia, o traficante Fernandinho Beira Mar declarou às autoridades que sua atividade era fazendeiro. Ele foi condenado a 80 anos de prisão.
Prioridades.
Entre as prioridades políticas do grupo estão: a liberação de terras de territórios indígenas, quilombolas, reservas e parques ecológicos, a flexibilização das leis trabalhistas do setor rural, uma nova definição ao “trabalho escravo”, a mudança das regras para o registro de agrotóxicos e de novos produtos alimentares e a alteração da legislação de terras para facilitar a compra por estrangeiros.
Entre as prioridades políticas do grupo estão: a liberação de terras de territórios indígenas, quilombolas, reservas e parques ecológicos, a flexibilização das leis trabalhistas do setor rural, uma nova definição ao “trabalho escravo”, a mudança das regras para o registro de agrotóxicos e de novos produtos alimentares e a alteração da legislação de terras para facilitar a compra por estrangeiros.
Violência e mortes.
A posse e o uso da terra podem ser considerados um dos problemas mais sérios do Brasil.
Há inclusive quem defenda a tese de que a violência social no Brasil tem origem na má distribuição de terras, que gera injustiça e multiplica a violência em todos os graus e em todos os setores da sociedade.
Nossa nação possui os maiores latifúndios do planeta Terra. Somos o país onde a miséria na zona rural mais cresceu em todo o mundo.
Desde os primórdios da história da humanidade, o latifúndio tem sido gerador de miséria para a maioria do povo e de riqueza para a ínfima elite que detém o poder. Os latifundiários não querem mudanças porque não admitem perder privilégios concedidos desde que os europeus começaram a explorar o Brasil.
O resultado, além da miséria e do atraso social e econômico, é uma onda de violência no campo.
Somente em 2012 foram contabilizados 1067 conflitos por terra no campo, destes, 489 em solo amazônico.
A impunidade e morosidade da justiça também estimulam os conflitos agrários. Quem se recorda do massacre de Eldorado dos Carajás? Após 18 anos a maioria dos criminosos continua impune.
Hoje completa-se 17 anos desse massacre e muito dos criminosos ainda
estão impunes. Dos 155 policiais indiciados, apenas os comandantes da
ação, coronel Pantoja e José Maria de Oliveira, cumprem pena.
- See more at: http://cspconlutas.org.br/2013/04/massacre-de-eldorado-dos-carajas-completa-17-anos-de-impunidade/#sthash.YVkHq9XA.dpuf
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Hoje completa-se 17 anos desse massacre e muito dos criminosos ainda
estão impunes. Dos 155 policiais indiciados, apenas os comandantes da
ação, coronel Pantoja e José Maria de Oliveira, cumprem pena.
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Mudança de regras e agrotóxicos.
O Brasil é o maior importador de agrotóxicos do planeta e utiliza 14 defensivos proibidos no mundo. Somente em 2013 foram consumidos um bilhão de litros de agrotóxicos no país, considerados lixos tóxicos na União Europeia e nos Estados Unidos,
Pesquisas da Anvisa apontam que pelo menos 30% dos 20 alimentos
até agora pesquisados, sequer poderiam estar na mesa do brasileiro.
Experiências feitas em animais demonstram que os venenos são associados
ao câncer e a diversas outras doenças de fundo neurológico, hepático,
respiratório, renal e má formação genética.
“Não há um único brasileiro que não esteja consumindo agrotóxico.
Viramos mercado de escoamento do veneno recusado pelo resto do mundo”,
diz o médico Guilherme Franco Netto, assessor de saúde ambiental da Fiocruz.
A bancada ruralista no Congresso foca seu lobby sob o
argumento de que não há nexo comprovado de contaminação humana pelo uso
de veneno nos alimentos e no ambiente.
Ecologia e meio ambiente.
A preservação da ecologia e do meio ambiente é vista como um entrave para seus negócios, inclusive tramita no Congresso um projeto de lei, já aprovado no Senado, que aumenta em 150% o
limite legal para desmatamentos nas fazendas da Amazônia.A cultura do calote.
Parte
significativa dos grandes produtores rurais simplesmente se habituou a
não pagar os empréstimos obtidos do dinheiro público, e pressionam toda vez que há
renegociação das dívidas.
É a consolidação da cultura do calote. Com o lucro da renegociação das dívidas, eles podem comprar mais terra e gado, acumulando cada vez mais riqueza.
Alento.
Nos últimos anos, a bancada ruralista agiu como um trator no Congresso e conseguiu impor sua força na pauta de votações e nos textos de projetos de seu interesse. A bancada acumulou vitórias contundentes, passando por cima da ala ambientalista e da onda verde que toma conta de todos os países.
Recentemente, porém, não conseguiu evitar a aprovação da PEC 57-A 1999, do Trabalho Escravo, que prevê a desapropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores em condições precárias. Após conseguirem aprovar no Congresso um texto concedendo anistia de multas ao desmatamento, sua comemoração durou pouco tempo, pois a mesma foi vetada pela presidenta Dilma Roussef. Através de votação, também conseguiram derrubar a obrigatoriedade de recuperar as matas em áreas de Preservação Permanente, porém, de novo, o Executivo conseguiu criar novas regras para que todos tenham de recuperar a vegetação na beira de rios e lagos.
A batalha é dura, porém nem a mais eficaz e letal das armas pode ser considerada páreo para a única que possuímos, o voto consciente.
Assista ao desenho animado "Ruralistas não nos alimentam não nos representam" através do link:
https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=f4Euu4Az-YM
Truman
É a consolidação da cultura do calote. Com o lucro da renegociação das dívidas, eles podem comprar mais terra e gado, acumulando cada vez mais riqueza.
Alento.
Nos últimos anos, a bancada ruralista agiu como um trator no Congresso e conseguiu impor sua força na pauta de votações e nos textos de projetos de seu interesse. A bancada acumulou vitórias contundentes, passando por cima da ala ambientalista e da onda verde que toma conta de todos os países.
Recentemente, porém, não conseguiu evitar a aprovação da PEC 57-A 1999, do Trabalho Escravo, que prevê a desapropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores em condições precárias. Após conseguirem aprovar no Congresso um texto concedendo anistia de multas ao desmatamento, sua comemoração durou pouco tempo, pois a mesma foi vetada pela presidenta Dilma Roussef. Através de votação, também conseguiram derrubar a obrigatoriedade de recuperar as matas em áreas de Preservação Permanente, porém, de novo, o Executivo conseguiu criar novas regras para que todos tenham de recuperar a vegetação na beira de rios e lagos.
A batalha é dura, porém nem a mais eficaz e letal das armas pode ser considerada páreo para a única que possuímos, o voto consciente.
Assista ao desenho animado "Ruralistas não nos alimentam não nos representam" através do link:
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